Considerações finais de 2007
Estamos na reta
final de 2007 e desejo, sinceramente, que todos façam um balanço positivo dos
últimos 12 meses. Digo por mim, este foi um ano intenso com experiências
que despertaram os mais distintos sentimentos: dos mais nobres aos mais reles
que um ser humano pode ter. Tive momentos da mais profunda tristeza, insegurança
e indignação até chegar à conclusão que para alguns pode soar piegas (oras, eu
sou piegas afinal): a felicidade está nas amenidades e nada mais é do que a
harmonia entre o que pensamos e fazemos de fato. É a nossa matéria-prima, ou
seja, nós mesmos.
Como diz um
provérbio yogue: suponha que você pudesse falar diretamente com Deus e
lhe pedisse uma cabeça, pois acredita que não tenha uma. O que você acha que Ele
responderia? “Tem certeza? Eu não posso lhe dar uma cabeça.Você já tem uma. Mas,
se insistir, posso providenciar uma segunda”. Moral da história: Você não
pode se tornar algo que você já é.
Portanto, desejo
ainda que em 2008 todos tenhamos consciência para não desperdiçar tempo e
energia projetando a felicidade como algo concreto e inacessível, do tipo: “só
serei e estarei feliz quando tiver ou fazer tal coisa”. Não. Sintam-se e sejam
felizes por serem exatamente quem são (mas sem acomodação, superem-se, evoluam);
por estarem perto das pessoas que amam e por terem saúde para buscar essas
tais coisas que servem para complementar e, às vezes, facilitar nossas vidas.
Ah, eu sei o
quanto é difícil não desviar desses princípios 365 dias no ano, 24 horas por
dia! Mas o importante é encarar os problemas que cismam em surgir como um
desafio que nos trará amadurecimento e, por mais insolúveis que
pareçam, reconhecer que até eles têm sua vez de cessar. Não há sofrimento que
perdure e sempre retornamos ao nosso estado natural de felicidade. Sim, natural.
Aquele estado de êxtase que surge em nosso dia-a-dia e nos faz,
inconscientemente, abrir o sorriso: um telefonema de um amigo distante, um
abraço apertado, a espontaneidade de uma criança, um beijo apaixonado, a
lealdade de um bichinho de estimação, aquela música favorita, um dia de céu azul
ou uma noite de lua cheia.... Enfim, tantos detalhes essenciais à vida e que não
nos damos conta.
Vamos tentar
parar de procurar o que já temos e começar a compartilhar e aceitar o melhor da
gente e o que cada um ao nosso redor nos oferece construindo,
assim, relacionamentos genuínos. Vamos descomplicar as coisas, soterrando
todos os tipos de medos, mesquinharias e preconceitos e viver tudo que há
para viver. Vamos nos permitir.
Aos amigos
pessoais
Valeu por
estarem comigo nas melhores e piores horas de 2007. Este ano foi um grande
aprendizado. Ufa... que nos venha um 2008 repleto de instantes
felizes!
Sintam-se
carinhosamente beijados.
Carrego cada um
de vocês comigo!
"Vamos começar Colocando
um ponto final Pelo menos já é um sinal De que tudo na vida tem
fim
Vamos acordar Hoje tem um sol diferente no céu Gargalhando no
seu carrossel Gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de
novo Vamos nos jogar onde já caímos Tudo novo de novo Vamos mergulhar
do alto onde subimos
Vamos celebrar Nossa própria maneira de
ser Essa luz que acabou de nascer Quando aquela de trás apagou
E
vamos terminar Inventando uma nova canção Nem que seja uma outra
versão Pra tentar entender que acabou
Mas é tudo novo de novo Vamos
nos jogar onde já caímos Tudo novo de novo Vamos mergulhar do alto onde
subimos"
(Veja e ouça: Tudo novo de novo – Paulinho
Moska)
Escrito por Kátia Gomes às 10h29
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Amizades circunstanciais
Já virou clichê: “amigo é coisa para se guardar do lado direito do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não”. Será? Somente desculpas como esse trecho da música do Milton Nascimento compensam a ausência de um amigo?
É verdade que somos muito mais condescendentes com amigos do que com namorados (as) e afins. Somos facilmente levados a aceitar a falta e os defeitos de um amigo e totalmente incapazes de escutar sem retrucar qualquer justificativa de ato falho do (a) parceiro (a). Por isso que os relacionamentos amorosos são efêmeros?
Talvez porque amizade seja mesmo como na definição de Aristóteles que a divide em três formas: utilitária, prazerosa e a perfeita. Todas elas são baseadas no querer o bem para o amigo. Porém, de acordo com o motivo que rege a amizade.
O querer bem não é necessariamente para a pessoa e o que ela é mas para o que ela possa representar. Em uma amizade utilitária, por exemplo, um amigo deseja que o outro sempre esteja emocionalmente equilibrado para poder ouvi-lo e aconselha-lo, pois este é seu porto seguro. Abrindo um parênteses: curiosamente o filósofo dizia que “as mulheres não exercem a amizade em sua plenitude, pois são propensas às lamentações e suas relações com o outro derivam de situações aflitivas e de tristeza”. Não é à toa que certas mulheres tendem a se unir nos momentos mais tristes. Até parece que há uma competição para saber quem sofre mais. Caso clássico quando namoros são rompidos. Fecha parênteses.
A amizade por prazer não é muito diferente e, penso eu, é a mais comum. Admira-se a pessoa não por seu caráter, mas pelo o que ela possa oferecer de agradável e vantajoso. Grosso modo, a típica amizade de balada. Sabe aquela amiga que te acha uma companhia super divertida e só te liga sábado à noite? Então... É mais uma amizade circunstancial.
Para Aristóteles, a amizade perfeita é a mais rara e existe entre aqueles que desejam o bem um para o outro da mesma forma porque sentem assim e não por questões de circunstâncias. A amizade perfeita requer intimidade e tempo de convivência para que as pessoas se mostrem, adquiram confiança e identifiquem suas semelhanças. Não basta apenas se dizer ou querer ser amigo. Amizade é “reconhecer no outro si mesmo e amar mutuamente”.
Amigos circunstanciais tenho inúmeros! Eles são perfeitos no que diz respeito à distração. Utilitários e prazerosos, sim. É uma troca consciente. Distinguí-los é o segredo para uma boa convivência e para evitar decepções. Afinal, quantos amigos se dizem perfeitos da boca para fora: “o que precisar estou aqui”. Aqui, em Cuzco.
Claro que tenho amigos os quais considero perfeitos. Poucos, que conto apenas nos dedos de uma mão e que me são caros. Alguns de longa data, outros mais recentes e não menos importantes. Sou privilegiada pelas grandes amizades que mantenho e por elas faria qualquer coisa. Infelizmente, nem tudo está dentro da minha capacidade.
Os compromissos do dia-a-dia realmente impedem de estarmos constantemente juntos trocando confidências ou simplesmente jogando conversa fora, mas tento estar presente ao máximo na vida de meus amigos e, o melhor, não preciso cobra-los para que façam o mesmo. Eles naturalmente sabem a diferença que faz alimentar uma amizade e que ela não é limitada a isso ou àquilo. Todas as formas são essenciais e se complementam quando o amigo é verdadeiro. A amizade tem o dom de exercitar nossas virtudes em diferentes circunstâncias. E é fato: sem ela a vida seria bem mais complicada e menos saudável.
"Tem os que passam e tudo se passa com passos já passados
tem os que partem da pedra ao vidro deixam tudo partido
e tem, ainda bem, os que deixam a vaga impressão de ter ficado"
(Alice Ruiz)
Escrito por Kátia Gomes às 18h42
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Meu espelho, hoje...
“Call you up in the middle of
the night Like a firefly without a light You were there like a slow torch
burning I was a key that could use a little turning
So tired that I
couldn't even sleep So many secrets I couldn't keep Promised myself I
wouldn't weep One more promise I couldn't keep
It seems no one can
help me now I'm in too deep There's no way out This time I have really
led myself astray
Runaway
train never going back Wrong way on a one way track Seems like I should be
getting somewhere Somehow I'm neither here nor there
Can you help me
remember how to smile Make it somehow all seem worthwhile How on earth did
I get so jaded Life's mystery seems so faded
I can go where no one
else can go I know what no one else knows Here I am just drownin' in the
rain With a ticket for a runaway train
And Everything seems cut and
dry Day and night, earth and sky Somehow I just don't believe
it
Bought a ticket for a runaway train Like a madman laughin' at the
rain Little out of touch, little insane Just easier than dealing with the
pain
Runaway train never comin' back Runaway train tearin' up the
track Runaway train burnin' in my veins Runaway but it always seems the
same”
(Veja e ouça: Runaway
Train - Soul
Asylum)
Escrito por Kátia Gomes às 12h21
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Porque quando "bate" é assim...
"Amor, meu grande
amor, não chegue na hora marcada Assim como as
canções, como as paixões e as palavras
Me veja nos seus
olhos, na minha cara lavada Me venha sem
saber se sou fogo ou se sou água
Amor, meu grande amor,
me chegue assim bem de repente Sem nome ou
sobrenome, sem sentir o que não sente
Que tudo o que ofereço é
meu calor, meu endereço A vida do teu filho desde o fim até o
começo
Amor, meu grande amor, só dure o tempo que
mereça E quando me quiser que seja de qualquer
maneira
Enquanto me tiver que
eu seja a última e o primeiro E quando eu te
encontrar, meu grande amor, por favor,me reconheça
Que tudo o
que ofereço é meu calor, meu endereço A vida do teu filho desde o
fim até o começo"
( Veja e ouça: Amor, meu grande amor
- Angela Ro Ro e Ana Terra)
Escrito por Kátia Gomes às 15h48
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Dez razões para desistir do próximo encontro
Criar expectativas, inevitavelmente, gera frustrações. Ninguém tem obrigação de corresponder às projeções alheias. Muito menos ser julgado indiscriminadamente. Esta é uma atitude pouco nobre. Porém, há de se convir que, algumas situações pedem e existem pessoas que se esmeram em ser alvo das análises críticas:
1.Certa vez, fui tomar uns chopinhos com um moço. Na verdade, tomamos apenas dois, cada um, e não demoramos a fechar a conta: R$ 25,00. Bem naquele dia esqueci tudo: não tinha sacado dinheiro e nem estava com cartão, restando-me apenas o talão de cheques. Vendo minha situação constrangedora, o moço nem sequer balbuciou a hipótese de pagar a conta. Ao pegar da carteira a metade do dinheiro e colocar sobre a mesa, enquanto eu preenchia a folha, aproveitou a deixa para tirar sarro da minha cara: “Pô, não tem 12 reais?”. Gentil como um viking!
2.Se mesquinharia é chato, ostentação também é bem desagradável. A primeira e única vez que saí com um carinha ele passou boa parte do encontro falando quanto tinha custado e quais eram os acessórios do carro zero dele. Justo para mim, que mal sei distinguir um modelo do outro. Não bastasse isso, ele fez questão de ressaltar que diariamente ele comprava e vendia ações e fazia não sei quantos tipos de investimentos e blábláblá... Que partidão eu deixei passar!
3.E o esquizofrênico? Está sempre em voltas com questões existencialistas e toma tarja preta. É pior do que mulher com TPM. Não sai do seu mundinho e quando lembra de você é para fazer um monólogo da vida conturbada e cheia de acontecimentos bombásticos que irão mudar a humanidade. Suga toda a sua energia e não está nem aí com a paciência da analista suplente.
4.Sempre que estamos conhecendo alguém é comum começarmos por um “questionário” básico para identificarmos as afinidades. Recentemente, um moçoilo me perguntou: Que tipo de filme você gosta? Respondi: “Gosto de cinema de arte...”. Ele devolve a pérola: “Ah, então você adorou O Código da Vinci!”.
5.Talvez pior do que ouvir isso seja não ouvir nada. É, timidez tem lá seu charme e também limite. Pior quando se trata de um homem-cebola: aquele que só tem casca. Coisa triste ficar garimpando assunto e a pessoa responder sempre monossilabicamente. Faz você divagar com os próprios botões e questionar: como seria se casar com um ser assim e passar a velhice juntos? Um tédio.
(continua...)
Escrito por Kátia Gomes às 15h44
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Dez razões para desistir do próximo encontro (continuação)
6. Há ainda quem morre pela boca. Um dia, resolvi dar uma chance para uma pessoa que me parecia bem legal. Lá pelas tantas, quando já estávamos à vontade, conversando e rindo, esta pessoinha resolve atravessar pela contramão, se achando suuuper íntimo, e contar com riqueza de detalhes o que ele gostava de fazer e o que deixava de fazer quando estava com uma mulher entre quatro paredes! Quanta falta de elegância.
7.Outra coisa pouco estimulante no primeiro encontro é falar de problemas, doenças e afins. Saí uma vez com um moço bem afeiçoado e cheio de boas intenções. Mas esse também tava achando que já podia vomitar toda triste história da sua vida assim, logo de cara. Fez questão de me contar, cheio de pormenores, sobre sua fase de tumor no pé. Imagine: tumor no pé! Vira-e-mexe, fosse qual for o lugar ou o assunto em pauta, ele citava tal episódio com um imenso orgulho o que, para mim, dava um certo nojinho.
8.Vícios tecnológicos, como a internet, também depõem contra. A pessoa até pode ter várias qualidades, mas é o tipo de coisa de adolescente nerd e anti-social. Enquanto o cara está em sua companhia ele consegue resistir algumas horas e até dias longe de Orkut e MSN, mas na primeira oportunidade lá está ele grudado no computador fazendo novas amizades virtuais. Femininas, claro! Você se conecta à qualquer hora do dia ou da noite, durante a semana, finais de semana e feriado, e lá está ele. De madrugada, surpresa: lá está ele, insone. Haja!
9.É óbvio que ninguém gosta de mentiras. Mas tem gente que cria umas histórias mirabolantes que até poderia se tornar autor de novela mexicana ou carnavalesco para criar o enredo inteiro para alguma escola de samba. Neste caso não foi difícil desistir do cara porque ele mesmo teve a pachorra de desmarcar um encontro com a desculpa que uma ex-namorada reapareceu com um filho de três anos à tiracolo reivindicando a paternidade. Assunto de vida ou morte! Tudo isso narrado por telefone e com uma voz dramática de Cid Moreira. Quase chorei... de rir.
10.Homem galinha não tem vez, mas nem sempre conseguimos identifica-lo de primeira. Contudo, entre o talento em dissimular e o atrevimento de subestimar nossa inteligência, não precisa de muito para pegarmos este tipinho no pulo e o teatro acabar. Suas atitudes são até clichês: some e reaparece quando bem entende. Muito provavelmente porque está fazendo um tour na agenda de telefones à procura da “pegada” perfeita. Antes de voltar à letra do seu nome, o melhor é que ele perca o rumo e vá ciscar em outra freguesia e você não perca mais tempo e gotas preciosas do seu perfume francês.
Escrito por Kátia Gomes às 15h44
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Crise tepeêmica
Há dias em que tudo parece tão estranho. Nós mesmas não nos reconhecemos ao olhar no espelho. Cadê aquele otimismo? A alegria contagiante? O brilho do olhar? Aquela determinação e segurança invejáveis? Acho que esta má sensação que derruba nossa auto-estima vem quando estamos iminentes a tomar alguma decisão relevante. Ah, que coisa desgastante...
Cansa se fazer de uma mulher moderna e independente. Trabalhar, estudar, pagar contas, cuidar da família, cuidar da gente mesma... A necessidade de se fazer escolhas atrás de escolhas que, não raramente, vêm acompanhadas de renúncias e cobranças. Não ter tempo e o direito de sentir-se frágil e duvidosa mesmo que, contraditoriamente, viva no constante dilema em conciliar satisfação pessoal e profissional. Por que não podemos simplesmente fazer o que nos dá prazer sem pesar a parte financeira, por exemplo? Não tem nada mais insuportável do que colocar o dinheiro à frente de tudo. Talvez eu seja uma louca mesmo em pensar assim e por abrir mão de uma situação confortável para arriscar novos e desconhecidos caminhos. Uma louca, mas com seus valores! Tá, e o que importa isso quando você é uma minoria?
Ah, acho que queria voltar a ser criança para não ter que ter certeza de nada e nem vergonha de agir instintivamente, sentir medo ou chorar. Ter como única preocupação fazer a lição de casa no intervalo entre as brincadeiras de rua. Putz, mas nem isso existe mais... Há momentos também em que gostaria de ser Amélia. As feministas que me desculpem, mas coisa chata essa de ficar posando de mulher-maravilha. Autosuficiente, o escambau! “Toda mulher quer ser amada, toda mulher quer ser feliz...”. Ok, “...às vezes se faz de coitada”. Mas a verdade é que é muito bom ter com quem contar e se sentir protegida. Alguém que possa te ouvir, incentivar e tomar iniciativas por você de vez em quando.
Nenhuma mulher quer um substituto para o pai. Nem alguém para pagar as contas como devem imaginar alguns machistas de plantão. É algo mais no estilo herói-romântico da idade média, sabe? Tudo bem, não precisa vir montado em um cavalo branco e nem partir para o combate decepando cabeças ao ser contrariado ou sentir ciúmes, mas que tal resgatar um pouquinho das convenções? Fazer a corte? Nada contra as mulheres partirem para a conquista, mas eu, além de tudo, devo estar ficando velha: prefiro ser conquistada. Porque no fundo fica aquele pensamento preconceituoso de que “macho” não pode recusar investidas femininas. Aí, a auto-estima vai por terra do mesmo jeito.
O ideal seria encontrar esse herói-romântico-moderno: viril, protetor, sensível, inteligente e bem-humorado. Alguém que compartilhe momentos e ideais. Que não a deixe se sentir sozinha estando acompanhada. Que respeite e saiba lidar com suas crises existenciais e discernir quando sua presença de espírito se faz necessária.
Parece utópico e fútil. Também parece mais salutar sonhar e se eximir das responsabilidades, se desligar dos problemas uma vez ou outra. Limitar-se a se preocupar em preparar o jantar a dois, a escolher o vestido para usar à noite e em desfrutar dos momentos de troca de carinhos. Uma vida tranqüila e praticamente perfeita. Como antigamente.
“When the night has come And the land is dark And the moon is the only light we'll see No i won't be afraid No i won't be afraid Just as long as you stand, stand by me
So darling, darling stand by me Oh, stand by me, oh, stand Stand by me, stand by me
If the sky that we look upon Should tumble and fall Or the mountains should crumble to the sea I won't cry, i won't cry No i won't shed a tear Just as long as you stand, stand by me
Whenever you're in trouble Won't you stand by me Oh, now, now, stand by me Oh, stand by me, stand by me, stand by me”
(Veja e ouça: Stand by me – John Lennon)
Escrito por Kátia Gomes às 16h00
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Qual tepeêmica não se identifica?
Mexo, remexo na
inquisição Só quem já morreu na fogueira Sabe o que é ser carvão Eu sou
pau pra toda obra Deus dá asas à minha cobra Minha força não é
bruta Não sou freira nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é
corcunda Nem toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou
mais macho que muito homem
Ratátátá
Sou rainha do meu
tanque Sou Pagu indignada no palanque Fama de porra-louca, tudo
bem Minha mãe é Maria-Ninguém Não sou atriz-modelo-dançarina Meu buraco
é mais em cima
Porque nem toda feiticeira é corcunda Nem toda
brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho que muito
homem
Ratátátá
(Veja e ouça: Pagu - Rita Lee e Zélia Duncan)
Escrito por Kátia Gomes às 11h00
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Ah, o Carnaval...
"Carnaval,
desengano Deixei a dor em casa me esperando E brinquei e gritei e fui
vestido de rei Quarta-feira sempre desce o pano
Carnaval,
desengano Essa morena me deixou sonhando Mão na mão, pé no chão E hoje
nem lembra não Quarta-feira sempre desce o pano
Era uma canção, um só
cordão E uma vontade De tomar a mão De cada irmão pela cidade
No
carnaval, esperança Que gente longe viva na lembrança Que gente triste
possa entrar na dança Que gente grande saiba ser
criança
No Carnaval,
no Carnaval
No Carnaval,
no Carnaval"
(Ouça: Sonho de Carnaval - Chico Buarque)
Escrito por Kátia Gomes às 15h17
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Querer nem sempre é poder
Há coisas nesta vida que são tipicamente femininas. O amor incondicional, por exemplo. Toda mulher é meio “mãezona” e está sempre disposta a emprestar o ouvido e o ombro para as lamúrias alheias. Mesmo que esta solidariedade lhe custe seus poucos momentos livres de descanso e lazer e se estenda madrugada adentro.
Neste ato de complacência, nada nos comove mais do que ver alguém querido sofrendo. Seja lá qual for o motivo. Por mais que sejamos fortes e façamos nossa parte em ouvir e aconselhar é uma enorme sensação de impotência. A vontade é trocar de posição, abdicar do próprio prazer em favor do outro ou dar uma parte de si a fim de sanar a dor que deveras sente – sem fingimento de poeta! (suspiro) Como se sentimentos pudessem ser palpáveis como um órgão pronto para ser transplantado ou uma mercadoria disponível na prateleira do supermercado: vai um pouco de alegria aí? Ou então, pode levar a auto-estima que está sobrando.
Nem todos sofrem apenas emocional, psíquica e espiritualmente, mas convenhamos que muitos dos grandes males são abstratos. Há casos em que o estado de depressão, a insatisfação e a infelicidade em relação à própria vida são tão fortes que refletem em dor física.
O que se há de fazer? Desabafar e chorar têm efeito catártico e podem até curar mágoas. Quando nada mais há para dizer e ser ouvido e nenhuma lágrima mais é capaz de rolar para ser enxugada, creio que, talvez seja a hora de deixar cobranças e teorias de lado (temos a tendência de oferecer respostas para todos os males que não sejam nossos) e canalizar toda essa segurança de forma amena, incentivando quem já ultrapassou todos os limites a recuperar o otimismo e encarar os desafios com maior determinação em superá-los. Com as emoções desanuviadas fica mais fácil ajudar a encontrar soluções, aprender com a experiência e seguir adiante.
Ninguém é auto-suficiente, portanto, estar presente carinhosa e ativamente pode bastar para trazer algum alívio e satisfação. De ambas as partes. O que mais aflige quem está de fora do problema é justamente não poder se aproximar para dar um simples abraço e compartilhar os momentos de angústia porque a pessoa está longe – soma-se aí a saudade – ou prefere ficar e ser sozinha. É impossível ajudar quem não aceita ser ajudado e escolhe morrer aos poucos a ter de lutar. Todos sofrem.
Nunca foi possível mudar alguém. Podemos através de pequenas ações colaborar para o bem-estar do próximo e que ele descubra e compreenda as dores e delícias de ser o que é; quando este lhe permite estar ao lado! Ao contrário, é respeitar esse momento, mesmo que de mãos atadas esperando por um pedido de socorro ou que a pessoa desperte para a própria vida e para aqueles que a amam.
Escrito por Kátia Gomes às 16h16
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Quando mudar é preciso
Ano novo, vida nova. Tempo de renovar as promessas de começar aquele regime, de parar de fumar, de retomar as aulas de ginástica, de trocar de carro, de fazer a viagem dos sonhos... Mas, até onde vai a disposição para mudar os padrões estabelecidos e dar lugar ao novo? Mudanças geralmente assustam. É preciso determinação e uma boa dose de coragem para assumir desafios e sair da zona de conforto.
Quando se trata de um assunto realmente cascudo que poderá transformar toda nossa rotina e refletir na vida das pessoas que convive, essa mudança vem acompanhada de medo e ansiedade e pode levar um determinado tempo para ocorrer.
Ninguém precisa mudar o estilo de vida na base do susto! Quantas pessoas passam a adotar hábitos mais saudáveis como cortar carne de porco e frituras do cardápio só depois de algum exame médico revelar que algo não vai bem? Ou só começam a procurar uma recolocação profissional depois de receberem a carta de demissão daquele emprego que já era frustrante há tempos? Mudanças são sempre bem-vindas e podem ser planejadas. Traçar um plano de ação é o primeiro passo para que uma transformação se concretize, além de ajudar a suavizar seu percurso.
O termômetro para identificar o momento de mudança é o próprio bem-estar e como isso interfere em seu dia-a-dia, assim como no círculo de amizade, com colegas de trabalho, parentes ou namorado(a) e mesmo na sua saúde. Em tudo que fazemos é preciso ter paixão. Trabalhar meramente por dinheiro, por exemplo, nunca trará realização plena. Nem sempre nossa satisfação está nos bens materiais, precisamos de um sentido maior para a vida. Por que não redirecionar a carreira ou fazer trabalhos voluntários? Começar a fazer um curso que trará novas perspectivas e conhecimento é uma idéia bastante válida. Uma pequena atitude pode representar um grande salto.
Pois não há ainda aquelas pessoas que se queixam de solidão, mas vivem arrumando motivo para não saírem de casa e se privarem do convívio social? Ou então, querem arrumar um(a) namorado(a), porém são inflexíveis e rejeitam a todos que se aproximam por considerarem estar abaixo de suas expectativas ou terem surgido em momento inoportuno? Ninguém é autosuficiente e para ser bem-relacionado e estar sempre em boas companhias é preciso deixar a timidez e insegurança de lado e estar pré-disposto a interagir e fazer acontecer. No meio profissional isso se chama networking, mas bem pode ser adaptado para a vida pessoal.
Contrariamente o que acontece é o medo de arriscar, e às vezes o medo da crítica, nos impedir de tomar qualquer iniciativa e progredir, nos mantendo estagnados. “Da água parada sempre espere o veneno”, já escreveu William Blake no livro “O matrimônio do céu e do inferno”. Somos apegados demais ao que acreditamos ter conquistado: uma segurança ilusória. Inconscientemente, preferimos nos colocar no papel de vítimas e nos boicotarmos: “nada dá certo para mim”, “eu não sou capaz”, “ninguém gosta de mim”.
Auto-estima e perseverança são fundamentais para transformar nossa realidade de forma positiva. O jeito é aproveitar a deixa dos astros, que revelam 2007 um ano de finalização de ciclo, para ampliar nossos pontos de vista e quebrar velhos paradigmas rompendo com tudo que não seja mais construtivo ou possível "reciclar". Inclusive, pessoas. Até os relacionamentos são pautados na troca e precisam de motivação e evoluir.
Na dúvida: que venha a mudança. Mesmo que, em princípio, ela se apresente de forma estressante. Afinal, as grandes conquistas vieram com as revoluções.
Escrito por Kátia Gomes às 12h55
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A todos nós...
“É do nascedouro da vida a grandeza. É da sua natureza a fartura a ploriferação os cromossomiais encontros, os brotos os processos caules, os processos sementes os processos troncos, os processos flores, são suas mais finas dores
As conseqüências cachos, as conseqüências leite, as conseqüências folhas as conseqüências frutos, são suas cores mais belas
É da substância do átomo ser partível produtivo ativo e gerador Tudo é no seu âmago e início, patrício da riqueza, solstício da realeza
É da vocação da vida a beleza e a nós cabe não diminuí-la, não roê-la com nossos minúsculos gestos ratos nossos fatos apinhados de pequenezas, cabe a nós enchê-la, cheio que é o seu princípio
Todo vazio é grávido desse benevolente risco todo presente é guarnecido do estado potencial de futuro
Peço ao Ano Novo aos deuses do calendário aos orixás das transformações: nos livrem do infértil da ninharia nos protejam da vaidade burra da vaidade "minha" desumana sozinha Nos livrem da ânsia voraz daquilo que ao nos aumentar nos amesquinha.
A vida não tem ensaio mas tem novas chances
Viva a burilação eterna, a possibilidade: o esmeril dos dissabores! Abaixo o estéril arrependimento a duração inútil dos rancores
Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos: a vida inédita pela frente e a virgindade dos dias que virão!”
(Libação - Elisa Lucinda)

Escrito por Kátia Gomes às 17h33
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Um pouco de atitude sempre vai bem
(Alguns) Homens são engraçados. Quando se fala em ter atitude, eles logo entendem que devem “chegar chegando”, ou seja, te puxando pelo cabelo e te encostando na parede. Já disse uma vez aqui e repito: qualquer Mané é capaz de agir assim. Também não basta seguir o manual de comportamento do homem que quer apenas impressionar. Por exemplo: muitos caras abrem a porta do carro no primeiro encontro e depois esquecem desse tipo de gentileza. Atitude não está relacionada às manifestações hormonais e nem à educação. Tais coisas acredita-se que sejam comuns a qualquer pessoa. Atitude, mesmo, vai além.
Tentemos elucidar o assunto do ponto de vista feminino: homem de atitude sabe que não precisa ser agressivo ou arrogante e nem fazer joguinho. É seguro e não tem medo de receber um não. Fala o que pensa e discorda sem receio de magoar. Tem disposição para encarar uma conversa difícil. Antecipa-se nas ações. Cria oportunidades. Cumpre o que promete. Toma decisões sem medo de se arrepender. É companheiro. Não vê problema em ceder de vez em quando. Sabe surpreender. Assume seus sentimentos. Não teme parecer ridículo.
Claro que ninguém em sã consciência espera que um homem tenha todos estes predicados, então por que será que, na falta de iniciativa própria, alguns seres criticam quando é a mulher que toma as rédeas da situação? Mulher também deve ter atitude e poder de decisão. Ou será que eles preferem se relacionar com Amélias? Atitude masculina não significa, em hipótese alguma, machismo.
A verdade é que, embora as mulheres estejam tomando novas posturas nos relacionamentos, elas querem e gostam de ser cortejadas e se sentirem, de algum modo, protegidas – já que ninguém é auto-suficiente mesmo. Direitos iguais sim, dadas as devidas proporções. Um homem de verdade consegue discernir quando uma atitude sua se faz necessária. É horrível a sensação de estar lidando com um banana que acata a tudo e não reage nem a uma barata.
Convenhamos que um homem que titubeia diante de qualquer imprevisto e não faz valer suas vontades não é digno de admiração. Sabe aquele que não tem coragem de fazer um pedido ao maître no restaurante ou pedir alguma informação em um lugar público? Ou ainda aquele travado: incapaz de iniciar e levar uma conversa adiante e é totalmente inexpressivo? Um pouco de timidez pode até ser charmoso, mas insegurança em excesso chega a dar pena. Nem a mulher e nem o homem quer um relacionamento baseado na submissão do outro, não é?
É uma delícia ver um homem de atitude. Do tipo que aparece na porta da sua casa quando você menos espera e propõe um programinha especial. Que não enxerga distância e nem tempo ruim para estar perto de você. Jamais reluta em ligar só para ouvir sua voz e dizer que está com saudades. Ao te apresentar para os amigos enche a boca para dizer “minha namorada/mulher”. Enfim, aquele que é simples, autêntico e nunca te deixa na incerteza.
Homens de atitude são tudo de bom. Eles realmente fazem a diferença.
Escrito por Kátia Gomes às 09h29
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A importância da manutenção
Na suposição de que o primeiro encontro tenha sido praticamente perfeito – daqueles que fazem com que mal se perceba o tempo passar onde o papo percorre os mais diversos temas de maneira descontraída sempre intercalado a abraços e beijinhos quimicamente compatíveis – espera-se que venha o segundo, terceiro, quarto... encontro. Aí que mora o problema: esperar.
A principal angústia das cabecinhas tepeêmicas que não possuem uma “rede de segurança” (veja o texto do dia 4 de agosto) e que estão com um novo affair em vista é justamente o intervalo entre esses benditos encontros. Por mais que saiba que tudo tenha sido lindo e maravilhoso a dúvida se o interesse é recíproco persiste. Embora em alguns momentos as mulheres tenham que abrir exceções e quebrar convenções, a maioria delas age à moda antiga e espera que a resposta parta espontaneamente do outro lado.
Certos homens fazem a “manutenção” direitinho: telefonam, mandam mensagens por SMS, MSN, Orkut, e-mail, pombo-correio, sinal de fumaça... Qualquer meio que sirva tanto para demonstrar que o interesse permanece ali, inabalável a ponto de dar continuidade à história ao vivo, como para não o deixar cair em esquecimento. Tem que haver essa preocupação e mulher adora esse tipo de atenção. Até as menos afeitas à comunicação por ondas eletromagnéticas. Que fique claro!
Alguns, sabendo dessa expectativa feminina, mandam notícia como se estivessem cumprindo protocolo. Outros demoram dias e até semanas para ligar, o suficiente para esquecer a cara do sujeito e fazer a fila andar (“...te ligo afobado e deixo confissões no gravador, vai ser engraçado se tens um novo amor...”, canta Chico Buarque). Têm aqueles que dão um alôzinho e depois tomam o venenoso chá-de-sumiço. Todos estes estão incluídos na regra básica a qual determina que fulano não está a fim de você simplesmente pelo fato de não estar a fim. Sacou? Não bateu empatia, afinidade, tesão, vontade de quero mais... Isso acontece. Desculpas esfarrapadas como “estou sem tempo”, definitivamente, não colam. Quando o cara quer ele liga seja de onde estiver.
Tudo bem que o start venha de uma atitude masculina, mas o outro lado da questão é quando apenas uma das partes se manifesta. E isso bem pode acontecer por conta de uma iniciativa feminina. Além de comodismo pode criar a impressão de estar forçando uma situação. Uma das piores coisas quando o assunto é relacionamento é não se sentir bem-vinda (o) e invadindo o território alheio. Também é muito chato e desnecessário ficar fazendo joguinho de não ligar propositadamente para parecer "difícil". Tem que haver troca e espontaneidade. Mulher tem intuição e não capacidade de adivinhação. Homem não tem nem uma coisa, nem outra. Portanto, cautela é bom, mas em excesso pode soar como indiferença. É uma linha tênue que separa a demonstração de interesse da falta dele.
A dica é: faça já uma “manutenção” antes que o encanto se quebre e tudo pare de funcionar de vez. É a melhor forma de conhecer a pessoa que você está supostamente interessado(a) e se fazer presente na vida da(o) pretendente, afinando a sintonia e aguçando cada vez mais a vontade de estarem juntos. Uma espécie de condicionamento. Simples, gostoso e eficaz.
Escrito por Kátia Gomes às 11h50
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Em tempos de eleição
"O pior analfabeto
é o analfabeto político.
Ele não ouve,
não fala,
nem participa
dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que
o custo de vida,
o preço do feijão,
do peixe,
da farinha,
do aluguel,
do sapato e
do remédio
dependem
das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política,
nasce a prostituta,
o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista,
pilantra,
o corrupto
e lacaio
dos exploradores do povo."
(Bertold Brecht)
Escrito por Kátia Gomes às 23h33
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