Coisas que só acontecem comigo (na praia)
Durante um exercício de memória emotiva no teatro esta semana, só consegui lembrar de fatos curiosos que me aconteceram. Ou melhor, que só acontecem comigo! Tem tanta história tosca, de quando era adolescente e outras mais recentes, que resolvi contar algumas delas aqui, embora não saiba por qual pérola eu inauguro a seção de micos do blog. Vou tentar pelas clássicas praianas...
Como a vez em que eu e duas amigas, contratadas há pouco mais de dois meses, pegamos o carro emprestado do chefe para viajar em um feriado. Cada uma levou sua acompanhante, somando seis mulheres, praticamente uma lotação no veículo alheio. Além de chegarmos ao destino que já não era muito convidativo, Praia Grande, nossas instalações eram terríveis. Na verdade, uma quitinete empoeirada na beira da estrada e sem colchões suficientes.
Fora isso, metade do grupo conseguiu a proeza de se perder com o carro pelas ruas da cidade, ficando um dia inteiro fora e deixando a parte feminina que sobrou em prantos, achando que havia acontecido um desastre ou algo do tipo. Detalhe: naquela época aparelhos celulares eram objetos de luxo e coisas raras. No dia seguinte, nos superamos: passeando pela orla com o carro do chefe veio um danado de um moleque de bicicleta grudar na nossa traseira, atitude conhecida popularmente como “pegar rabeira”. Adivinha o que aconteceu? Multa. Multa para o carro do chefe! Detalhe número 2: o esquema de pontos na carteira de habilitação ainda não existia e o dono do carro era quem se responsabilizava pelas infrações.
Como nada é tão ruim que não possa piorar, a motorista estava sem sua carteira de habilitação! Tivemos que andar feito umas camelas até a kit na beira da estrada para pegar e entregar o documento à polícia e o carro fosse então liberado. Felizmente, deu tudo certo. Voltamos achando que não passaríamos da fase de experiência no emprego, mas nosso chefe, um verdadeiro pai, entendeu tudo e ainda pagou a multa!
Bolso vazio e dente quebrado
Ainda na linha trágica, teve outro feriado que eu cismei que precisava viajar a qualquer custo. Meu desespero era tanto que propus bancar a viagem para uma amiga desempregada. Claro que ela me acompanhou. Fomos para Boissucanga acampar. Os dois primeiros dias foram ótimos. No terceiro, as energias começaram a ficar pesadas. Numa dessas caminhadas pelas pedras na ponta da praia minha amiga, engraçadinha e saltitante, levou um escorregão e caiu de boca. Passou o resto do feriado com o dente da frente quebrado.
Para dar mais emoção à nossa modesta viagem, o dinheiro estava curto, praticamente zerado. À noite eu e minha amiga banguela tivemos que optar entre comer ou beber. Ficamos com a segunda opção, na certeza de que iria ao caixa eletrônico no dia seguinte, resolveria a questão financeira e mataríamos a fome. Com pouco dinheiro, bebemos um vinho barato que nos rendeu uma bela ressaca.
No outro dia de manhã, passando mal, fomos até o centro de São Sebastião em busca do caixa eletrônico. Qual não foi nossa surpresa ao descobrirmos que todas, todas as máquinas estavam fora de sistema! Claro, que nessas horas sempre pinta uma idéia genial. Lembrei que um amigo estava em Toque-Toque Pequeno. Botamos a barraca nas costas, pegamos carona na estradinha e fomos até ele. Na maior cara-de-pau aproveitamos o churrasco que estava rolando no exato momento em que chegamos, tomamos banho quentinho e trocamos o camping por um quarto confortável e limpo.
Ao acordarmos, ele nos levou até Caraguá para que eu sacasse o dinheiro, comprasse as passagens de volta a São Paulo e ele não precisasse mais olhar para as duas folgadas.
Esqueceram de nós
Meu último drama ainda está fresquinho na memória: já saía com um mocinho há algum tempo quando, finalmente, ele me convenceu a passarmos um final de semana no litoral norte com a turma de amigos dele. Bom, quem me conhece o mínimo sabe que apesar das recordações acima eu ainda gosto de praia, mas não sou muito afeita fora do verão. Enfim, o que não fazemos quando estamos apaixonadinhas, não é? Lá fui eu atrás de mais uma aventura.
Para incrementar a história ele era surfista. Ai, meus sais. Como previsto é claro que fiquei sozinha, sentadinha na areia - em um final de tarde outonal, ou seja, fria para C... - embrulhada na canga esperando horas o moço pegar a tal onda irada. Mas mal sabia eu que o destino seria muito mais irônico comigo.
Na mesma noite, a “galera” quis ir a uma festa em uma praia vizinha a cerca de dois ou três quilômetros de onde estávamos. Seguimos em carreata, todos alegres e felizes. A festinha até que estava bacana: som, bebida, luar à beira da piscina com vista para o mar. Lá pelas tantas da madrugada bateu aquele friozinho. Eu e o meu mocinho, que não era muito de festa, resolvemos esperar nossa carona dentro da casa, mais precisamente no sofá quentinho da sala por onde circulavam várias pessoas. Estávamos muito bem aconchegados e seguros. Um convite para o sono. Dito e feito: pegamos no sono! No sono profundo...
Só fui acordar com o sol que entrava pela janela batendo no meu rosto. Dei aquela sacada pelo recinto e apenas uma alma penada fazendo café e um som techno bem baixinho de fundo. Não é possível! Dei mais uma conferida básica e o veredicto: esqueceram de nós! Naquela hora da manhã ninguém atendia celular. Resumo da história: eu e o moço sonolento tivemos que voltar a pé da noitada, pois não tinha nem ônibus circulando!
A: eu fui uma anta por me meter em mais essa roubada. B: o moço era uma anta que nem os amigos se lembraram. C: os amigos é que eram umas antas – porque, afinal, não eram os meus amigos. D: Melhor eu não sair de casa
Escrito por Kátia Gomes às 14h00
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|